sexta-feira, julho 21, 2006

Fechado para Férias:












































Durante 15 dias, a Mulher-a-Dias tira o avental e ruma às merecidas "sopas e descanso".Até ao meu regresso!

quinta-feira, julho 20, 2006

No meio do (nosso) caminho:

Presentemente, o meu livro de cabeceira é o último da CPC, o tal do plágio, intitulado No meio do nosso caminho. Sempre gostei da Clarinha, que tinha o condão de dizer frases brilhantes como se fossem a maior das banalidades -quem discorda nunca leu, certamente, o “Mais Marés Que Marinheiros- mas sou a primeira a reconhecer que a fórmula se esgotou. Apesar disso, este livro dá que pensar. Pretendo retratar “ a nossa passagem pelo Purgatório” aqui na terra, é o retrato do sofrimento – muitas xs auto-imposto- de todos aqueles que ficaram pelo “meio do caminho”. Do deles. Do dos outros. Gente derrotada, que desistiu dos sonhos e vive um quotidiano vazio, à espera que um dia se transforme em felicidade. Gente que perdeu a coragem para seguir até ao final do caminho, que se cansou de enfrentar obstáculos e decidiu erguer ali a sua vida, embora soubesse que, no final, a vista era muito melhor…

Tudo isto me fez pensar na onda de tristeza que grassa à minha volta, tragando aqueles de quem mais gosto e outros que mal conheço…a todos eles, quero apenas dizer que estão “no meio do caminho” e que vale a pena prosseguir. Esta curva pode ser mais apertada, ou a subida mais íngreme, mas o que aí vem há-de valer o esforço. Só é preciso lá chegar…


segunda-feira, julho 17, 2006

Aquele abraço:

Para quem está feliz.

Para quem não.

Para quem está longe.

Ou ao virar da esquina.

Para quem foi, é ou será.

Para quem ainda não se cruzou no meu caminho.

E para os que nunca saíram dele.

Um abraço.

Apertado.

E uma mão estendida.

Sempre que precisarem.

Só porque sim.

Porque, como o Pedro Abrunhosa, “eu estou aqui”

[Especialmente para TI]

Have a Safe Flight:

O MEC tem uma frase de que sempre gostei “passamos a vida a apanhar aviões emocionais uns para os outros”. Isso só me faz acreditar ainda mais que a nossa vida é como um aeroporto. Há sempre gente a chegar e a partir, com verdadeiras horas de ponta, em que não temos mãos suficientes para dizer adeus nem braços que cheguem para saudar quem aterra, de repente, na nossa pista. Gerimos as emoções como um terminal, tentando não sobrecarregar as partidas. X vai agora para Barcelona, Y regressa de Madrid, Z ruma ao sul do país. N, o W não pode ir agora. Temos os voos sobrelotados, toda a gente rumo às partidas e há que equilibrar as coisas, temos que compensar nas chegadas, para que o aeroporto faça sentido, para que não se esvazie subitamente. De  x em quando, as coisas não correm como desejado e sentamo-nos, desolados, na solidão da Torre de Controlo, com a esperança de poder voltar a dar sinal verde na pista de aterragem…

quinta-feira, julho 13, 2006

Apanhado no ar:

Os sogros não os queremos nem tão longe que tenham que trazer as malas, nem tão perto que possam vir de chinelos.

 

[E com esta a minha colega AG deu-me a mais valiosa lição da minha vida sobre distâncias…]

Achado não é roubado:

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."




Miguel Esteves Cardoso in Expresso ( Achado pelo Alvim)

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