quarta-feira, novembro 30, 2005

Simplesmente pessoa...

Fernando Pessoa deixou-nos há 70 anos. Nunca o poderia ter conhecido, mas, desde a leitura do primeiro poema, esteve sempre presente na minha vida. Lembro-me de ler inquèritos em revistas e, sempre que me deparava com a pergunta “quem gostava de ter conhecido se pudesse”, pensar nele. Pessoa é de muitas pessoas, mas gosto de o sentir só meu…de ler as suas palavras como se fosse a primeira vez. E surpreendo-me sempre.

Em dia de aniversário (que ele tanto odiava), deixo um poema do meu heterónimo favorito, Alberto Caeiro:

Se, depois de eu morrer...
 
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
 
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
 
                 

Ficam também algumas sugestões: Na Casa Fernando Pessoa, às 21h00, é apresentado o novo álbum dos Wordsong dedicado ao poeta. Pertinho, o São Luiz assinala a data com um recital no Jardim de Inverno entre as 16 e as 18h30.

terça-feira, novembro 29, 2005

Desilusões em trânsito

Estava no metro e entrou um senhor já de certa idade com uma muleta e carregado com um saco enorme que aparentava ser pesadíssimo. Nos bancos, pessoas bem mais novas olhavam para o lado e fingiam não o ver. Ele estava visivelmente atrapalhado e cedi-lhe o meu lugar que, embora em pé, era a um canto e permitia-lhe encostar-se. Peguei-lhe no saco e coloquei-o junto dele. Ao meu lado, um homem com a roupa manchada de tinta exclamou: às xs a falta de civismo das pessoas até nos envergonha. Disse baixinho: pois. E suspirei de alívio por sair na paragem seguinte…

Sabe bem...

…ouvir quem está longe. É uma sensação inexplicável porque, simultaneamente, angustia e conforta, completa e esvazia, contenta e entristece…mas, tal como todos os sentimentos contraditórios, n deixa de valer a pena. Mais q n seja, porque me apercebi da falta que me fazes amiga, e que estava aqui adormecida. Parabéns Sofia!

sexta-feira, novembro 25, 2005

Smp quis...

…ter um café de bairro. Um poiso habitual onde soubessem que o meu café vem sempre só e sem açúcar e com uma mesa refundida à espera do meu jornal. Agora ele existe e já tenho lugar cativo. Conheçam-no pelas palavras da Le Cool:

Café-Restaurante Basta
E se para ter um bom spot, bastasse saber? E se para ter um bom café bastasse pedir? E se também houvesse comida maravilhosa, a cozinha sempre aberta e um jardim delicioso com árvores centenárias? E se este fosse um sitio especial onde há tempo para tudo? Basta de rodeios, vamos ao Basta-Café, café requinte dentro da Casa dos Dias de Água. Bom gosto e boa música, o menu apetece, a decoração dos pratos reflecte o conceito do espaço e as paredes de Madeira talhada e veludo encarnado concedem-lhe carisma cinematográfico. Basta de conversas, esta é a nova rota obrigatória da cidade. Basta ir, é o retiro perfeito para fazer aquela pausa. Basta querer.


Onde? R. Da Estefânia,175
Quando? Das 12 às 24h, fecha à segunda

Para ti:

Lembro-me de seres pequenina. Era no tempo em que ainda eras Teresinha e em q n tinhas deixado cair o sufixo q, ainda hj, teimo em acrescentar à tua pessoa. Pegava-te ao colo e só pensava no medo q tinha que me fugisses das mãos de repente. Hj já lá n cabes e ultrapassaste-me em altura. Mas, para mim, hás-te ter smp o mm tamanho: o q cabe no coração.

 

 

segunda-feira, novembro 21, 2005

Regalitos aos Molhos:

Ao fazer a lista de presentes de Natal, tomo consciência das mudanças nas vidas dos amigos. Presentes para filhos e amigas que já são (ou irão ser em breve) mães. Presentes para as casas dos que se tornaram independentes ou estão em vias de…coisas adultas, coisas necessárias...nunca me tinha apercebido que os presentes também crescem…

Provérbios Natalícios:

Aqui estão alguns dos provérbios mais ouvidos na época de Natal:

 

Grão a Grão, esvazia a galinha o papo.

A presente dado, olha-se o (a)preço.

A prendinha da vizinha, é smp melhor q a minha.

Mais vale um presente na mão, do que dois na árvore.

Mais vale tarde que nunca.

 

quarta-feira, novembro 09, 2005

Há dias...

 Em que só queria ter um quantos-queres para me ajudar a saber por onde começar…

 

terça-feira, novembro 08, 2005

Sentimento do dia:


Há qualquer coisa nos chapéus-de-chuva que me faz sentir qual Mary Poppins. Pena que a minha mala não tenha os mesmos poderes! ;)


segunda-feira, novembro 07, 2005

No Arco Cego:

Em frente à minha casa, onde antes havia uma estação de autocarros, há agora um jardim. A primeira era um ponto de partida (e chegadas), o actual é um ponto de encontro. De vez em quando, aparece alguém arrastando uma mala e procurando, espantado, os horários das “carreiras” para o FIM-DO-MUNDO e arredores, olhando, de soslaio, para a gente que mata o tempo sentada nos bancos. É curioso como os locais são diferentes mas, os bancos, esses, permanecem como antecâmara para a vida que há-de vir…

sexta-feira, novembro 04, 2005

Sai um Prozac:

A partir de 2006, a Segurança Social vai disponibilizar um serviço on-line que nos permite calcular quanto vamos receber na idade da reforma. Com uma só medida, conseguiram privar-nos de duas alegrias: a do efeito surpresa de descobrir que, após uma vida de descontos, estamos no limiar da pobreza e a da abençoada ignorância que nos permitia só sermos confrontados com essa realidade quando estivéssemos praticamente senis!

Oriente vs Ocidente:

Ontem, quem passasse pela estação da Alameda, deparava-se com um espectáculo caricato: em direcção à linha verde, pessoas cinzentas, olheirentas e cansadas do peso de mais um dia de trabalho; rumando a Oriente, gente sorridente, bem ataviada e maquilhada que se apressava para garantir um bom lugar no Pavilhão Atlântico. Dois lados opostos da vida, cruzando-se, num breve instante…

quinta-feira, novembro 03, 2005

KIDULT:



Quando for grande vou andar com um autocolante destes no carro:P

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