sábado, janeiro 29, 2005

Hoje decidi passar pela Feira do Livro do Mercado da Ribeira. Costumo ir frequentemente a este tipo de feiras mas estreei-me hoje nesta...

O q é bom nas feiras do livro não são os descontos.É a sensação de busca.A esperança de encontrar uma preciosidade.Claro q, na maioria das xs, n passa disso: uma hipótese. Mas é bom vasculhar cada banca, à espera do momento em que ela há-de aparecer...

Coisas pequenas (para quem é grande):

Coisas pequenas são
coisas pequenas
são tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são
coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar.
Amar, amar, amar
só vale a pena
se tu quiseres confirmar
que um grande amor não é
coisa pequena
que nada é maior que amar.
E a hora
que te espreita
é só tua.
Decerto, nao será
só a que resta;
a hora
que esperei a vida toda,
é esta.
E a hora
que te espreita
é derradeira.
Decerto já bateu
à tua porta.
A hora
que esperaste a vida inteira,
é agora.

Madredeus

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Os sacos de plástico:

Já alguma vez tiraram alguns minutos para observar os sacos de plástico que as pessoas transportam? Se não, aconselho vivamente este exercício sociológico. Basta irem até à paragem de autocarro mais próxima, q de certeza não faltará quem envergue este complemento. Juro que vale a pena, porque é, no mínimo, intrigante. É que os sacos de plástico, são um bom indicador da personalidade...;)

Chapéus há muitos:

Chapéus há muitos mas, assim mesmo, há alguns que nos surpreendem pelo inusitado da cabeça que os usa. Vi um desses no outro dia. Estava eu no Hospital de Santa Marta, onde tinha ido acompanhar a minha avó a uma consulta de rotina do pacemaker,e, aborrecida com o tempo que teimava em não passar, entreti-me a observar os "utentes" do Serviço Nacional de Saúde.

A faixa etária rondava os 70 e, quase todos, estavam vestidos de cores escuras, agasalhados (talvez para fazer frente à vaga de frio que nunca chegou). Alguns reclamavam do médico que não viera e os obrigara a fazer kms "para nada", outros dormitavam e os mais sociáveis, dedicavam-se a compartilhar maleitas com quem lhes calhara em sorte na cadeira do lado. Eram parecidos ali, naquelas cadeiras plásticas cor-de-laranja, que contrastavam com o castanho escuro das paredes e o grisalho dos cabelos. Farta de ver caras, dediquei-me às cabeças e respectivos penteados. E foi então que vi o tal chapéu que me deixou com um sorriso nos lábios.Ali, à minha frente, estava um senhor dos seus 80 anos, de sobretudo azul escuro e cachecol de xadrez a condizer que envergava, muito orgulhoso, uma boina...da Kangol! Sim, essas mesmas que pululam nas cabeças de rappers e b-boys nos clips da MTV!;) Só não estava posta ao contrário.Estava muito direitinha, como convinha ao cinzento dos cabelos e ao aprumo da vestimenta. Fiquei a imaginar como teria ela ido ali parar.Teria sido presente de Natal, de um neto desesperado por modernizar o avô? Ou teria sido ele quem, aproveitando um descuido do mesmo, lha tinha surrupiado do armário? Não tive coragem de perguntar mas achei graça aquele "erro" de guarda-roupa. Se fosse um filme., aposto que despediam logo o responsável porque aquela boina, obviamente, não condizia com o personagem.Felizmente, não era o caso e o senhor pode continuar a desfilar por aí, para meu gáudio e de outros desocupados como eu, que ainda perdem tempo a surpreender-se com o dia-a-dia...:)

Fantasma da Ópera;

Ontem fui finalmente ver o "Fantasma da Ópera". Tenho que confessar q é mais um para a minha lista dos "a evitar". Se digo confessar, é porque me custa admitir a desilusão. Gosto muito de musicais e n tenho qq pejo em admiti-lo.E gosto especialmente deste.Da ideia do "monstro" aprisionado nas profundezas da ópera e q n passava, afinal, de um infeliz...de alguém q a vida rejeitara e se obrigara a construir um mundo paralelo, confundindo amor com obsessão...

A história é trágica e presta-se um bocadinho ao toque piroso e eu já tinha esse receio quando entrei na sala de cinema.Mas nada me preparou para aquela versão kitsch, a la Shania Twain. Só mesmo fechando os olhos, e fazendo de conta q nos encontramos em casa a ouvir o cd, cantando baixinho "the phantom of the opera is here/ inside my mind"...

Melinda & Melinda:

Hoje sinto-me Melinda. A da comédia. N a "Melinda", a triste e trágica.Para quem n percebe, eu explico. Vi há pouco tempo o último filme do Woody Allen, q se baseia na ideia de q a vida pode ser uma comédia ou um drama, depende do ponto de vista.

O filme começa com um grupo de amigos (dramaturgos), sentados na mesa de um restaurante nova-iorquino a discutirem esse argumento. Um deles lembra-se de criar uma história, cuja personagem central é a Melinda e, a partir daí, cada um deles vai desenvolvendo a vida da protagonista, conforme a sua visão do quotidiano. Filme à parte, a Melinda e a "Melinda", tomam diferentes rumos...n me cabe a mim decidir qual deles o melhor, até porque nem é esse o motivo q me levou a escrever este post. O q me fascinou foi o retrato da sensação q por xs me invade de acordar como pessoas diferentes, para um drama ouma comédia. Afinal, acho q todos nós temos um pouco de cada. Eu hj estou feliz por ter escolhido a segunda:)


terça-feira, janeiro 18, 2005


Recuerdos de Madrid...

Quando eu era pequenina...

...faziam-me smp a mma pergunta: o que queres ser quando fores grande? E assustava-me um pouco porque n sabia bem o q era ser grande , nem o q me aconteceria quando lá chegasse.

Hj, que sou grande, descobri ,finalmente a resposta: quero parar de crescer...

Sonhos:

Perguntaste-me noutro dia quais são os meus sonhos.Disseste que era uma pergunta de algibeira,mas que nunca ma tinhas feito...não te respondi.Olhei para o lado e só não assobiei porque tive medo que te ofendesses... não, não te assustes.N deixei de sonhar.Só não quero dizê-lo alto pq, sempre ouvi dizer que isso faz com que os desejos n se cumpram...

Voltar:

Fala-se smp muito das partidas e de como são penosas. Traçamos cenários dignos de uma Linda de Susa e da sua mala de cartão, com lenços brancos a agitarem-se dolentemente, enquanto as lágrimas marcam o ritmo triste de um adeus. Claro que exagero.Mas a verdade é que encaramos as despedidas com tristeza e os regressos como alegrias certas. Nada mais tendencioso. Pq é que voltar tem que significar, forçosamente, estar de cara alegre?!?

Pessoalmente, acabo de sofrer na pele essa "fobia" da felicidade do regresso. Cada x que pareço esboçar um sorriso mais melancólico, sou confrontada com a pergunta da praxe: "mas estás contente por estar de volta, não estás?" Aproveito este momento para responder a todos aqueles que ma repetiram até à exaustão.Sim,n posso negar que estou feliz. Gosto de estar em casa. De ver o Tejo. De ter os amigos mm ao lado. De ver filmes em versão original e legendas em português. De poder ler os jornais nacionais.De comer um pastel de nata smp que me apetece.Da minha bica.De ser acordada pelo latido do meu cão.Da minha rua.De ir dar uma volta ao Chiado e de estar a meia hora da Praia Grande. De voltar a ter til no meu teclado e consultar menos vezes o corrector ortográfico.De ouvir música portuguesa.De sentir que estou onde pertenço...

Mas também n gosto de ter de ir de carro para todo o lado.De n poder ir a uma cafetería de esquina e pedir un pincho de tortilla.De n beber cañas mas imperiais.De n percorrer a Gran Vía todos os dias.De meter a chave à porta e saber q nunca mais será no 40 da c/maldonado.De me lembrar de beber um café à meia-noite e estarem (quase) todos fechados. De n ver os programas del corazón.De n me rir com as bromas do meu colega Pablo. De dizer adeus e n hasta luego.De sair à noite smp para os mesmos sítios. De n ouvir o Bisbal, a Maria Isabel e os Aventura a toda a hora.De n ir a concertos ao Aqualung em x do Coliseu. De n poder ir dar uma volta ao Retiro. De n ler o El país enquanto como un sandwich no vips...

No fundo, n gosto de sentir saudades. .. por isso mesmo, respondo-vos que sim, é muito bom estar de volta.Mas isso n impede que parte de mim quisesse dar meia volta para o país ao lado...




De regresso:

Depois de 6 meses de Madrid, volto a "casa"...está tudo ainda meio desarrumado e é preciso limpar o pó à vida que antes tinha, mas , assim mm, "feels like home". E apetece-me dizer: olá!

Se te escapa la vida...
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