sábado, fevereiro 12, 2005

Numa viagem de metro entre o Colombo e o Saldanha fui abordada por muitos pedintes.Começou pela velhinha que está sempre à entrada do metro do Saldanha e a quem dou,invariavelmente, uma ou duas moedas.

Enquanto comprava o bilhete, uma romena dizia palavras que não escutava porque tinha os phones nos ouvidos. Eu abanava a cabeça em jeito de negativa, mas ela insistia no discurso que eu não podia ouvir...como não se ia embora, acabei por lhe dar parte do troco.Durante o trajecto,entraram ainda na carruagem dois ceguinhos e um vendedor da Cais.

Saí para fazer o transbordo e uma nova vendedora da Cais veio ter comigo.Envergonhada, voltei a abanar a cabeça negativamente.Ela percorreu a plataforma e voltou a "oferecer-me" a revista.Entrei e fiquei de pé junto à porta, sentindo-me já a salvo do meu acto egoista.Mas ela voltou de novo e tive que repetir o gesto pela terceira vez porque já não me restavam trocos na carteira.

Abandonei a estação e fui ao supermercado onde outra vendedora da mesma revista passeava um carrinho de bebé e me voltou a pedir dinheiro.Senti-me mal.E só pensava que nem o alheamento dos meus phones me salvava...será possível descer mais baixo na caridade?:(

4 passaram o espanador

Blogger Susana said...

Se te fizer sentir melhor:
na sexta feira (e não foi a 1ª vez)vi esses dois cegos (creio que são pai e filha) a tomarem o pequeno almoço no café que está dentro da estação do Marquês de Pombal (o átrio que dá para a linha amarela). Ora, eu, que trabalho das 8 às 18, e que ganho o meu ordenado, não posso tomar o pequeno almoço fora todos os dias. Tomo em casa. Ao almoço, pra ficar mais barato, como uma sopa e uma sandwich.
Pergunta #1: como é que aqueles dois, que vivem da solidariedade dos outros, têm dinheiro pra comer fora?
Pergunta #2: estou a trabalhar para quê? Rendia-me mais pedir esmola no metro?
Pergunta #3: porque é que não pus isto num post?
;)

2:07 da tarde  
Blogger Rita said...

Eu dou sempre aquele ar de má para não me chatearem... mas fico sempre com o coração apertado. Para me livrar disso, penso sempre que mais de metade dos que se dizem pobrezinhos levam uma vida melhor do que a minha! Ah poois é!

2:10 da tarde  
Blogger Efémero said...

Não é por tomarem o peq. almoço no café que deixam de ser pessoas com dificuldades. Se calhar tomam no café pq em casa não têm nada que comer. É tudo especulativo. Ainda hoje quando vinha do jogo em Alvalade encontrei os mesmos dois cegos (não faço ideia se são pai e filha) e dei uma moeda. Não me importava nada de os ver tomar o peq. almoço no café com a minha moeda, era sinal que tinha valido a pena...

10:42 da tarde  
Blogger Maffa said...

Uma pessoa tem sempre de pensar nas consequências das suas esmolas... Nao a curto prazo (ajudar p o pequeno almoco) mas a longo prazo... Vai tornar essas pessoas dependentes das esmolas e a fazerem do pedir a sua vida. Ao mesmo tempo nao dá ao estado a responsabilidade de cuidar de quem nao tem nada. Pq eles safam-se na rua... Em relacao aos cegos, há bastantes ajudas p eles aprenderem um ofício, mas muitos preferem pedir... pq é mais fácil. Concluíndo, nunca dou moedinhas...

8:54 da manhã  

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