quarta-feira, junho 30, 2004

Café da manhã

Estou sentada numa "esplanada"(?)num interior de um centro comercial.Ao meu lado, duas mulheres que aparentam 50s e muitos conversam alegremente.Um rapaz pede um café e vem para junto delas.A conversa segue da seguinte forma:

M1-Então n vens com as cores de Portugal?
R-Não,isso só logo...e e...e é se ganharmos!
M1-Então n ligaste ao Scolari?
R-Eu cá nem vou ao estádio!(encolher de ombros)
M1-Fazes mal,fazes mal!(olhar reprovador)
R-(ar de quem quer mudar o assunto) Então e a D.Manuela, pq é q n está de vermelho e verde? Não vai torcer pela NOSSA (ênfase) selecção?
M1-Eu?(ar de desdém) Eu cá não! Vou é apoiar o meu marido!Se ele é holandês, vou é apoiar a Holanda, ora essa!(tom de "dona da verdade)
R-O seu marido? Devia era ficar do lado do nosso país!
M1- Do nosso país?!? Eu quero lá saber do nosso país! O q é que eu devo ao nosso país?Tenho é que apoiar o meu marido, ele é que merece! Agora o nosso país, o nosso país...(cara de "perdoai-lhe Senhor que ele não sabe o que diz")

...

Não se preocupe, D.Manuela...Há muito mais quem pense assim (terá o Durão Barroso por mulher a Europa?!?)

terça-feira, junho 29, 2004

Ruído

Pq me ensurdeces com as palavras que silencias?

sexta-feira, junho 25, 2004

100 Palavras

Jornais europeus põem Portugal nos píncaros

A generalidade da Imprensa europeia coloca a selecção portuguesa nos píncaros e jornais espanhóis, franceses e italianos não põem em causa a vitória portuguesa num jogo “impróprio para cardíacos”, como se lê no espanhol “El Mundo”.

No “El Pais” é sublinhado o “abnegado esforço da equipa de Scolari, frente a um adversário que pagou pelas tendências defensivas de Eriksson”. O italiano “Corriero della Sera” escreve: “Portugal, o sonho continua”.

Para o francês “Le Monde”, Portugal passa às meias-finais depois de uma “partida intensa”. No mesmo jornal é referido o “epílogo dramático de um encontro cativante, dominado pela equipa de Luís Figo, não obstante a capacidade de resistência dos ingleses”.

O também francês “Liberation” resume bem o que se passou ontem no Estádio da Luz: “Inglaterra por terra”.

Fonte: O Jogo


quinta-feira, junho 24, 2004

O sol na gaveta

É tarde e só a noite me acompanha.Na aparelhagem, soa "Death of an Interior Decorator" e eu sorrio com a ironia.Estou cansada e os caixotes espalhados em meu redor assemelham-se a gigantes ameaçadores.Fecho-os um a um,com a fita bem apertada para que não escape nada...vão-se empilhando, até formarem várias colunas.Olho em volta para ver se é desta que está tudo. Não.Ainda não.Uma gavetinha ameaçadora olha para mim do fundo da sala, com um sorriso trocista. "Estúpida", murmurei entre dentes.Dirigi-me a ela com toda a minh raiva, mesmo ao estilo "já te trato da saúde" e "quem ri por último ri melhor".Abri-a de rompante e despejei todo o seu conteúdo. "lixo, lixo, lixo",concluí.Mas,debaixo de um monte de papéis inutéis,um teimava em sobressair.Peguei nele e li-o.Imediatamente, a fúria amainou e transformou-se em sorriso.Acabava de nascer o sol.Ali,na minha gaveta...

Make a wish...

Sopraste as velas e disse-te:pede um desejo. Curiosa,quis saber o q era, mas disseste q n podias revelá-lo. Propuseste-me antes pedir-me um a mim. Ri-me e disse que sim. Pediste-me o coração e eu disse q n ia funcionar...mm que quisesse dar-to ,n me podias soprar...

quarta-feira, junho 23, 2004

Perdidos e achados

Enquanto arrumava gavetas, encontrei este texto que escrevi há 10 anos, na fase em que ainda estava nos "16 going on 17". Achei graça e transcrevo-o aqui...perdoem-se as discrepâncias e exageros pps da idd;)

"Lisboa"

Oh, Lisboa! Cidade minha,cidade viva,cidade nossa.Como te amo, ó Lisboa!Varina das 7 saias,como os gatos,sete vidas.Sete vidas vividas em ti.Só em ti, Lisboa.

E, por mais que se viva, não chega.Não basta para ver tudo o que nos ofereces, generosa como és.Tu, que "roubámos" aos mouros, que alterámos, construímos, que degradámos...Tu, que nos deixaste amar-te (e odiar-te), cada um a seu modo...

És então diferente, mas igual. Dás a cada um o que procura, o que deseja que seja Lisboa.Desdobras-te em praças, mercados, vendedeiras e pomares.Lisboa dos vendedores, dos pregões, música falada.Gritada até.Cobres os jardins e parques de mil cores.Pintas de verde os bancos, convidando ao descanso e talvez mesmo, algumas confidências.Enches as ruas de carros, que se apertam pelos caminhos estreitos, lado a lado com os eléctricos. Preenches as avenidas, vielas e becos com a tua vida.Vida de gente que passa,gente que fica...gente que foi, vem ou virá.Riem, choram, gritam, vivem.E tu com eles.As suas alegrias, dores, pensamentos, vivências, são também as tuas. É delas que tu és feita.Um pouco de cada um de nós.Alma.Coração. Sentimento de pedra fria.

Lisboa da Baixa.Comércio.Turistas.Pitoresco.O elevador que sobe e desce,desce e sobe.Os Postais que te repetem vezes sem fim...Terreiro do Paço.E o Nicola ali tão perto. Como está, Pessoa? Viva, Brasileira.Passe bem, Suiça. R.do Carmo, sempre a subir.Chiado.Onde estás, Grandela? Vê-se bem que já foste amada pelo fogo.Melhor fora que o não fosses.Ai, Lisboa! Não sabes que "muito sofre quem ama"?

Da Baixa vai-se ao Castelo.Soberano da cidade, vela por ela, do alto da sua colina. Uma das sete,como as saias da varina. São Jorge lá está, orgulhoso. Graças a Afonso Henriques. Obrigada, bom rei. Que seria de nós sem essas pedras? Como poderíamos nós passear nas muralhas, tirar fotografias nos canhões, perder a moedinha nos binóculos? Tudo isso é o castelo.Pavões que deambulam nas ameias enquanto a cidade se pavoneia diante delas...

Lisboa noctívaga, do Bairro Alto, Alfama. Casas de fado povoadas de turistas. E tu recordas saudosa os tempos idos da Severa, em que o fado -ainda- não era comprado. Agora não. É fado negócio, fado cifrão a reluzir por entre as casas.Brilham tantas janelas. E tanta gente contida nelas.Bêbados, felizes, infelizes? Que interessa? Esta é a zona bairrista. Calcem os chinelos, ponham as mãos na cintura e desçam a avenida nas marchas populares! Comam sardinhas, ofereçam manjericos, inebriem-se de vinho carrascão...e de ti!Esta é a noite em que o povo é soberano e tu rainha. Deixem-no subir e aquecer o corpo.Mergulhem na multidão e percam-se em ti...

Além da noite tradicional, sobra a 24 de Julho. Avenida rasgada, com portas abertas de bar em bar.Toda ela é movimento, rostos, bebidas, histórias...mas o que é a noite senão o direito à diferença? uma noite de carnaval prolongada, em que não somos nós próprios.A 24 de Julho é tudo isso.Um bando de gente disfarçada, a usar a máscara de quem sonha ser.

Lisboa dos desalojados, fria, impiedosa.Vão de escada, noite vã e relento hostil.Cobertor de estrelas e cama de ruas sujas.

Lisboa de quem trabalha, de quem estuda, cumpre horários...sempre apressada.

Lisboa pobre, casa de lata, estomâgo vazio e coração de desespero.

Belém de Lisboa, passado glorioso. O espelho dos Descobrimentos, o "centro cultural".

Lisboa dos fins-de-semana, deserta, abandonada, só.

Lisboa periferia, leitos amontoados, vidas suspensas até ao regresso.

Lisboa e tudo o mais que tu és. Lisboa como eu te vejo,Lisboa como te pintam, como te escrevem, como te cantam, como te olham.

Lisboa capital.Lisboa nossa.Lisboa Portugal.


A Carta

Hj cheguei a casa e tinha-te no correio.Estavas desenhado em letras e pontos e, à medida q mudava de linha, ia reconhecendo mais um traço...Hj chegaste de longe para que eu tivesse um olá no meu código postal:)

Fumar mata?

A capa do Público dá-nos conta de que "os fumadores morrem em média 10 anos mais cedo". Até aqui nada de novo e q nós, fumadores convictos, n soubessemos...o que me leva a questionar era o q faria eu c/esses 10 anos? Será q mais tarde vou sentir a falta deles? Será q os perco ou será q os ganho? De todas as formas, pelo menos 5 já se "esfumaram";)

Música do dia...

The Weight Of My Words(Kings of Convenience)


There are very many things
I would like to say to you,
but i've lost my way
and I've lost my words.
There are very many places
I would like to go
but I can't find the key
to open my door.
The weight of my words-
you can't feel it anymore.
The weight of my words-
you can't feel it anymore.
There are very many ways
I would like to break the spell
you've cast upon me.
Because all the time
I sacrificed myself
to make you want me,
has made you hant me.
The weight of my words
you can't feel it anymore...

terça-feira, junho 22, 2004

Tudo o q tenho cá dentro...

Em 3 caixotes específicos cabe gd parte de mim.Palavras q n chegaram a ser ditas, amarelecidas em cartas q nunca enviei...postais de amigos q deixaram de o ser. Sentimentos q já n têm sentido ditos por quem já por nada sinto.Lágrimas.Sorrisos. Fotografias para mais tarde recordar com pessoas de quem desconheço a morada...dias e anos (des)alinhados em linhas sem fim...tenho tudo cá dentro e levo-o smp comigo para todo o lado. Acho q é por isso q n me desfaço de nd. Pq sei q n basta rasgar o passado.Ele faz parte do meu futuro...vou mm ter q lhe arranjar espaço;)

A Idade dos porquês...

É verdade que há uma "idade dos porquês".Mas tb é verdade que há dias dos porquês.Dias em que nos questionamos sobre nada e tudo,s/tentar encontrar respostas concretas...hj tive um dia desses. Fica o registo p/tudo o q n tem porquê e é apenas porque...sim?

- pq é preciso ligar a televisão e ver uma reportagem sobre as opiniões dos "madrileños" sobre o Portugal-Espanha para ver um amigo do qual n temos notícias há tanto tempo?

- pq sofremos tanto pela selecção?

- pq é que o golo de domingo me emocionou ao ponto de me fazer chorar?

- pq se paga p/ver os fura dels baus à espera de sentir medo e emoções fortes? Pq é q n se consegue???

-pq é q mudar de casa implica um novo telefone, freguesia, código postal e um bairro sem marcha popular?:(´

-pq é q sou tão saudosista e n consigo deitar nada fora?

-pq é tudo é tão relativo e cada manhã nos pode trazer um sorriso ou um aperto da alma?

-pq é q fechamos os olhos às pessoas maravilhosas q podem estar mm ao nosso lado?

-pq é q toleramos tanto aos amigos e somos tão intrasigentes com os desconhecidos? E pq é q nos arrependemos a maioria das xs?

-pq é q os jogos decisivos têm q ser smp no estádio da luz e tornar o meu regresso a casa um pesadelo?

-pq é q qdo alguém se casa as pessoas teimam em dizer smp as mmas banalidds e tratar os noivos como animais do zoo?

-pq é q perco tempo a pensar em tudo isto?:P

Conclusão do dia:

Cada x que arrumo uma gaveta, desarrumo as minhas memórias...

Demasiado depressa...

Os dias têm corrido apressados. Não há tempo para pensar. N há tempo para os amigos. Para o cão. Para o jornal.Para estar comigo.

A agenda parece pequena para tudo o que lá dentro cabe... Super Bock, Super Rock com meia-noite a fazer passar dos 25 p/os 26 e a acabar para sempre c/o "1 quarto de século". Festa de Anos. Santos Populares. Portugal-Rússia. Trabalho. Amigos que chegam do outro lado da fronteira. Mais trabalho. Festa de anos atrasada para aqueles que chegaram. Curso novo. Olhar o mundo pela lente do realizador. Um casamento. Portugal-espanha visto em "traje de festa".A vida encaixotada à espera de nova morada. Eu a perceber que tenho vida a mais para caber em tão poucas caixas...o sono que não vem (e os sonhos q isso n implica). Ainda o trabalho. Dias repartidos em repartições burocráticas...e o verão q começa...

Olho para tudo isto e penso se só terá realmente passado uma semana ou se terei perdido a noção do tempo;)

quarta-feira, junho 09, 2004

Aniversários...

O dia dos meus anos aproxima-se e tudo o que consigo pensar é numa frase que ouvi há já alguns anos, num programa da antena 2, precisamente perto desta data...n me lembro do autor, nem das palavras exactas,mas em adaptação livre era algo como:fazer anos/ que tolo é fazê-los/se ao menos pudessemos desfazê-los...". Pq n podemos desfazer anos? Isso sim, seria um verdadeiro motivo de celebração...

Deixo uma poesia de Álvaro de Campos, como "presente antecipado"...;)

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...



Álvaro de Campos, 15-10-1929

Desfralda a invicta bandeira...

Nos últimos dias, Lisboa encheu-se das cores nacionais.As ruas são verdes e encarnadas, e n há janela q n sirva de "porta-estandarte". Na televisão e jornais fazem-se reportagens sobre um patriotismo nunca visto...viva a força do futebol!

O que me custa, é o facto destas manifestações n passarem das fachadas...ainda há pouco tempo, um vox pop no telejornal dava conta de que a maioria dos entrevistados n sabiam a letra do hino nacional e que apresentavam ainda umas versões bastante alternativas. A somar a isto,a bela visão que é dada da selecção portuguesa pelo livro destinado à imprensa estrangeira que vem fazer a cobertura do euro 2004,e a bandeira perde cada x mais as cores... só por curiosidade, quantas se agitarão nas comemorações do 10 de junho? N chegarão de certeza nem perto do número de cachecóis que serão envergados este sábado:(

segunda-feira, junho 07, 2004

Hora Trivial

Fiz uma pausa para ir ao café e lá estavas tu. Todos os dias no mm lugar...agarrado àquela máquina como se fosse a única esperança. Como se o teu futuro estivesse ali, naquele monitor oleoso...

N tens olhos para + nada e repetes, freneticamente, os mesmos gestos...de segunda a sexta.Sempre à mesma hora.

Q vida (n) terás tu para depositares o teu entusiamo numa máquina de photoplay?

Disfarce...

Há dias em que acordamos e sabemos que não vão passar de uma gd "mentira". Que n vamos ser nós mesmos e q as palavras n passam de afirmações convenientes, ditas segundo o que esperam de nós...

Há dias em que somos personagens, passeando-nos pelo teatro da vida, debitando automaticamente o papel que nos coube. Sem pensar no que dizemos...

Há dias em que somos 2:o que parece e o q é,mas fica dentro de nós. Escondido, sem ninguém poder ver...

Há dias assim...

Não fui...

Ontem n fui...n sei pq, n me apeteceu.

Quis ficar em casa e alhear-me.

Fechar a porta...

e n me deixar entrar...

ontem tirei férias.

De mim.



sábado, junho 05, 2004

Esta Lisboa que amanhece

Se é verdade que "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida", Lisboa tem um encanto especial ao sábado de manhã. Esta é uma hora em que não costumo viver a cidade, adormecida pelo cansaço das noites de 6ª-fª...assumo: sou noctívaga por excelência. Gosto da noite e sou "de lua(s)". Mas, de x em quando -que o meu "despertador biológico" n me permite mais;)- sabe-me bem acordar cedo e viver o sol.

Hoje foi um desses dias porque, estupidamente, voltei a cair no erro de me matricular num curso que começa à "hora pornográfica" das 9 da manhã!Ensonada, lá rumei até uma perpendicular da Av.de Berna, prontra para descobrir as maravilhas da "produção e realização de vídeo digital". Estava redondamente enganada! Quando lá cheguei, descobri que a aula só teria início 2 horas mais tarde. Não me apeteceu esperar. Sem pensar mais do que um segundo, abandonei o fresco do prédio e dirigi-me à paragem de autocarro mais próxima. Destino: Chiado.

Sai na Praça da Figueira e senti-me outra. Há qq coisa nesta zona da cidade que provoca em mim uma felicidade instantânea. Um pouco como o Prozac em versão calçada portuguesa e sem efeitos colaterais (à excepção das bolhas nos pés;P). Ao meu lado, um espanhol explica aos pais a história da Baixa. Fiquei por ali, a ouvir disfarçadamente,e a ver-se a lição estava bem sabida. Tendo percebido que facilmente o "nuestro hermano" passaria num exame com nota 20, fui andando, sem destino certo...Martim Moniz, Rossio, R.Augusta, Chiado, Largo Camões...passei por todos e dei por mim a trautear Sérgio Godinhoe a apaixonar-me por "Esta Lisboa que Amanhece"...

Casa arrumada:

Arrumada a casa, deponho finalmente a "esfregona" e volto ao "lápis" e às ideias como armas favoritas;)

Sentimento do dia:



Todos os dias passo pela mma rua, a caminho do café, e nunca tinha dado por ela...a vida pode estar mm à nossa frente, e nós, apressados, nem a (vi)vemos...

in Casa Antiga

Lição de fim-de-semana:

Cheguei ao fim de semana, com mais uma pérola de sabedoria quotidiana.Como se costuma dizer, "viver p/aprender", n é?;) Partilho-a aqui p/quem n queira passar pelo mm;):

- A CARRIE BRADSHAW NUNCA PODERIA VIVER EM LX!

É verdd!Desiluda-se quem ainda pensava que o "Sex & The City" podia ser transposto p/a nossa capital. O problema n são os dates, nem a "abertura" demonstrada pelas "4 amigas de sexo e a cidd" - paguem-se os dtos ao spot da Sic Mulher;) - q parece n cair bem com o pudor nacional...não, o verdadeiro problema é quadrado e dá pelo nome de calçada portuguesa!



in Casa Antiga

Pensamento do dia:

"Deves fazer tudo o que coração te manda fazer, por muito que doa à cabeça dos outros" (

(mas o q se faz quando a dor é só nossa?)

in Casa Antiga

Passa...

Pensamentos Soltos III:

Disseste-me que hj começou a Primavera e q n entendias pq estava de camisola e casaco comprido. Que destoava das roupas coloridas e dos 1ºs ombros a despontar...Pediste-me q aliviasse o peso do sobretudo e q trocasse as botas pelos dedos à mostra das sandálias. Quis dizer-te que sim, mas tenho frio e no meu calendário permanece ainda a desolação do Inverno. Não sei porquê, mas n consigo virar as páginas.



in Casa Antiga

Pensamentos soltos II:

Há dias em que não se deve acordar. Eu hj n acordei. Sonhei 24h de pesadelo.

in Casa Antiga

Pensamentos Soltos:

Às xs, queria ser como o cavalo com palas que puxa a carroça. Sem a liberdd de correr pelos campos mas feliz por desconhecer que existem...

in Casa Antiga

Disseram que vai chover...

Hoje choveu-me na alma (e n abri o guarda-chuva)

in Casa Antiga

Deixe mensagem após o sinal

Ontem
Não atendi
Um único telefonema.
Isolei-me na sala
De ouvido mudo
Para a conversa estrangulada
No bocal
Do telefone
Que soava
[ininterruptamente]
Ontem
Calei o mundo
E tudo
O que não queria ouvir
[sem remorsos]
Amordacei a boca dos outros
Vesti-me de censura
Cor de lápis azul
[em desenho livre]

Ontem
Não atendi
Um único telefonema.



Good news is no news

No diário das boas notícias
So se lêem coisas boas.
As fotografias sorriem sempre
E os títulos são felizes.

No diário das boas notícias
Não há leitores
E os jornalistas
apodrecem
Nas secretárias
À espera
Que o mundo
Lhes dê o furo prometido.

in Casa Antiga

Mudanças

Mudar pressupõe sempre esquecimentos. Mesmo que prometamos que nos vamos lembrar de tudo (e todos). Foi assim quando mudei de escola, quando troquei de casa e de trabalho. Não mudei apenas de sítio. Mudei de amigos. Mudei de colegas. Mudei as divisões e a mobília. E mudei-ME. A mim. E a tudo o que tenho cá dentro. Meti-me na mala, embalei com cuidado as imagens e sentimentos em caixas onde escrevi “Frágil”. Como um aviso...a relembrar-me para manter tudo no lugar. Mas fui-me esquecendo e deixando-me ficar para trás. Até à próxima vez.

Realmente, nunca tive jeito para fazer malas...

in Casa Antiga

Antes de Sair

Na imagem
Olhas-te
E vês
Quem serás.
Foste,
Tela imensa,
Para o pincel
Do desejo.
Quando fechares o estojo,
Da maquilhagem,
Só restará
-De ti-
A personagem.


in Casa Antiga

Bandaid 4 d soul

Às xs sinto-me rasgar como 1a ferida.Um arranhão que n sara e cuja crosta teima em desaparecer.Nesses dias, tudo o que queria era poder chorar como qdo era pequena e que me colassem um hansaplast na alma...

in Casa Antiga

Hora de Ponta

Estava no trânsito quando me apercebi que parei ao teu lado...não exactamente ao lado, mas, ali, naquele sinal que tanto detesto, bastava-me olhar para direita e lá estavas tu...numa sala qualquer, com pessoas que desconheço e fazer não sei bem o quê. Podia ser qualquer uma delas, qualquer nome ou qualquer coisa...Só então percebi que sabia que estavas ali mas que,realmente,não sabia onde te encontravas.

in Casa Antiga

No Bairro Alto

Ontem passei por ti sem saber. Estávamos na mesma rua mas não eras ninguém. Olhava para ti e não te via. Fazias parte da paisagem...mais um, de copo na mão. Mais um a rir e a falar alto, como uma banda sonora para a minha noite.

Ficámos no mesmo sítio durante horas. Tu a falares com os teus amigos. Eu a ouvir os meus. Sem sabermos um do outro. Pediste-me um cigarro e eu, forreta, disse-te que era o último. Disseste “obrigado” por eu te ter mentido descaradamente enquanto pensava nos 5 que ainda restavam no maço. Passados uns minutos foste-te embora e eu fui logo de seguida. Para a minha noite e para a minha vida.

Hoje encontrei-te de novo e disseste-me o teu nome. Não sabia que tu eras este. Não sabia que ias entrar no meu mundo, porque, de facto, já lhe pertencias. Só não tinhas este rosto que agora conheço como “x”. Hoje falei contigo e soube que, a partir de agora, te transformaste num “olá”.

in Casa Antiga

Às 9 horas

Nunca percebi porque cumprias todos os dias o mesmo ritual. Mal soavam os primeiros acordes do genérico, lá estavas tu, a correr para o sofá. Como se não pudesses perder nem uma nota daquela melodia enfadonha. Sempre. A correr para o teu lugar...será que tens medo que um ser imaginável o ocupe? Quem? Quem se mais ninguém partilha esse teu prazer solitário em que vives a vida dos outros como se fosse a tua...quem? Fiz esta pergunta durante dias, semanas, meses, até se transformar num hábito diário. Mal acabava a maratona noticiosa, olhava para ti e perguntava porque corrias...o olhar vidrado, a beber todos os gestos das figuras que debitavam banalidades ou tragédias, sempre com a mesma entoação. E tu ali, a ouvi-los e a esqueceres-te de mim. A não fazeres caso quando te perguntava pelo teu dia ou se já tinhas pago a conta do banco. A preterires a nossa vida em prol de um punhado de desconhecidos. E eu sentada, ao teu lado, a tentar entender porque é que era mais importante o fecho de um parque fictício do que o facto de eu estar aborrecida e precisar de ti. Será que sabes que também eu detesto ter de me vergar perante figuras prepotentes? Será que imaginas que, todos os dias, também o nosso “habitat” corre perigo? Que também nós corremos o risco de fechar permanentemente as portas mas uma à outra? Acho que não...acho que não queres saber. Talvez seja mais fácil encheres-te todos os dias de dramas que não são os teus e procurar soluções que não as nossas...talvez gostes de fechar o coração e abrir apenas os olhos. Vaguear por outras casas, outras conversas, outras vidas que não as destas quatro paredes. Talvez corras, todos os dias, com medo que tu ocupes esse lugar que é de outra, todas as noites, à mesma hora. É dela que tens medo. De ti mesma. E do guião que não queres representar... Hoje percebi que não valia a pena interrogar-me mais. Sentei-me ao teu lado e deixei de viver a vida enquanto assistíamos à telenovela das 9h.

in Casa Antiga

Voyeurismo Climatérico

Desde que me lembro, sempre gostei de chuva...mas nunca de me molhar. Gosto de estar em casa, a olhar para as gotas que escorrem pelas vidraças enquanto eu me aconchego nos cobertores. Mas, mais ainda, gosto de ver quem as gotas atingem... como num filme em que a vida dos outros se desenrola perante os meus olhos e eu ali, muito enroscadinha no sofá, a assistir... é bom saber que estou segura, que a janela não deixa entrar nem uma gotinha e que estou a salvo da realidade...

in Casa Antiga

(Entre) Linhas

A vida é feita de linhas...linhas em que todos nós nos cruzamos, rectas paralelas que por vezes encontram o ponto impróprio da sua intersecção.E é nesses momentos ocasionais que diferentes linhas de pensamento têm possibilidade de se misturar.Seja por "andarmos na linha" ou por dela termos saído,é nesses instantes em que, desalinhados das "linhas da vida", somos nós próprios.Porque aprendemos que há "linhas de opinião distintas" e quem se esteja nas tintas para o destino que nos traçam as linhas da mão. No fundo, viver não é mais que saber ler nas entrelinhas e aprender que o que conta é escrever torto por linhas direitas.

in EntreLinhas

Grava-me (n)um cd

Muita tinta tem corrido sobre os cds gravados. Seja contra ou a favor, todos têm 1ª opinião. P/mim, n poderiam ser melhores! Se n, pensem comigo: de q outra forma poderíamos nós ouvir 1ª tão alargada selecção musical? Em q compilação seria possível encontrar o Carlos Paião lado a lado com o último êxito dos Underworld? Onde veríamos nós o Paulo Bragança acompanhado por Iron Maiden? Ou Mind da Gap seguidos de Las Ketchup? Um cd gravado é 1ª caixinha de surpresas q nos revela mto sobre o seu “criador”. Estados de espírito, preferências musicais, desejos, a intimidade…mais que gravar 1 cd, gravamo-nos nos cds “para + tarde recordar”.E isso, desculpem-me os puristas dos direitos de autor, nenhuma discográfica consegue fazer.

in EntreLinhas

À la Dna...

Gosto de gostar.De gestos,lugares,memórias e sabores.Não gosto de dissabores e desamores.Gosto de ti e de mim em ti.Gosto de (me )partilhar e de (me) manter em segredo.Não gosto de ter medo e que me falte a coragem.Gosto da adrenalina que isso me provoca.Gosto de provocações e reacções de choque.Não gosto do "Rosa Choque" e outros feminismos estereotipados.Gosto de descobrir o "pote" no fim do arco-íris.Especialmente quando este é cinzento.Gosto de analisar. Comportamentos, gente,sentimentos,palavras.Não gosto de análises e "diagnósticos" equívocos.Gosto de mistérios e de quem me "quebra-(a)-cabeça".Não gosto de adivinhar o final antes de tempo.Gosto de poesia e versos soltos.Não gosto de rimas forçadas.Gosto de café com amigos a acompanhar.Não gosto da solidão como pano de fundo.Não gosto de estar sózinha por imposição e de más-companhias (mesmo quando são "boas").Gosto de dizer o que penso e fazer o que quero.Não gosto de ter que pagar um preço tão alto.Gosto de ir ao "fundo da questão" e de deixar a resposta "a meio".Gosto de reticências e pontos de exclamação.Não gosto de travessões mal semeados.Gosto de olhares e do que carregam dentro.Não gosto de quem se esconde por detrás das lentes fumadas dos óculos escuros "psicológicos".Gosto de gargalhadas,risos e sorrisos.Não gosto dos amarelos.Gosto de chorar sempre que me apetece.Não gosto que me sequem as lágrimas.Gosto de "apetites" inusitados e do imprevisto.Não gosto de previsões e não acredito em destinos traçados a régua e esquadro.Gosto de encruzilhadas e de não saber o caminho.Não gosto que me digam que errei o trajecto.Gosto de papel em branco e escrever torto por linhas direitas.Não gosto da Direita.Nem do Centro.Nem da Esquerda.Gosto do centro de Lisboa.Não do Comercial.Gosto da Baixa e do Bairro Alto.Gosto de andar a pé em ruas sem carros.Não gosto de conduzir, nem de andar de autocarro.Não gosto do "cidadão comum".Prefiro descobrir as diferenças.Gosto de Pessoa.Gosto de Pessoas.E de não gostar de todas.Gosto da noite e de insónias com estrelas por candeeiro.Não gosto das olheiras com que acordo no outro dia.Gosto de diários e letras.De música, poemas,revistas,jornais,livros,rascunhos,rabiscos...não gosto de usá-las todas de uma vez.Gosto de que fique muito por dizer e saber que o posso "degustar" tudo outra vez.Gosto e desgosto.Com gosto.

in EntreLinhas

Pausa

Enquanto fumava um cigarro(podem destruir os pulmões mas proporcionam pausas que alimentam o cérebro)lembrei-me de uma frase de Pessoa:"ser eu não tem um tamanho".A única coisa que me pergunto, é o que fazer com tudo o que sobra(de mim)?...

in EntreLinhas

Diferença de ser

Sinto-me diferente.

Não consigo evitá-lo.

Estou à parte da gente

(Quem escuta quando falo?)

Às vezes sorrio,

E não sei porquê.

Às vezes choro,

E ninguém vê.

Habito num limbo,

Entre dois mundos.

Aquele que tenho,

Aquele que sou.

E dói-me tanto,

Este abismo sem fim.

Não consigo quebrar o encanto

Que me encerra dentro de mim.

Se falo contigo,

Tu nem percebes,

Que ,por vezes, não estou...

Eu sou!

E esse ser finda na diferença,

Do ser eu.

(E ser eu não tem pertença)

in EntreLinhas

Sempre que chove...

Sempre que chove a melancolia abate-se sobre mim. Nessas alturas,fecho os olhos e penso numa frase que apropriei: Faz-me bem apanhar uma vez ou outra a chuva da vida. (H W Longfellow).Afinal, quem anda pela vida, molha-se;)

in EntreLinhas

Viagem à minha mente

A minha mente
É um corredor
De portas comunicantes
Elas abrem-se,
Rangem,
Batem,
Chiam,
Fecham-se...
A minha mente
É um corredor
De portas comunicantes...
E nunca trocaram uma palavra.

in EntreLinhas

Só Eu...

Às vezes sinto-me só

E não consigo evitar...

A sensação de não ser.

(procuro não respirar)

A minha garganta em nó,

O coração a pesar...

A alma plena a sofrer,

E ninguém a quem contar.

Às vezes, fico assim,

Sem saber existir.

Onde me porei a mim,

Se estou só e não posso fugir?

Não posso. Não quero. Evito.

Não posso querer sonhar...

Pois os sonhos de que servem, se não os posso partilhar?

Às vezes (admito)

Sinto-me só plenamente.

Não consigo evitar,

A sensação de não ser.

Ó sol, brilha de novo!

Faz-me rir e ser gente!

in
EntreLinhas, 05-01-99

Poema do Sonhador

Sonha. Sonha ainda e sempre...

Acredita que a vida,

Habita na mente.

Não desistas - luta!

Mesmo perdido,

Há alguém que escuta.

A tua palavra. E ela fica.

E como tu,

Há outro que acredita.

Não baixes a pena,

E continua!

Há uma luta só tua,

Uma batalha serena...

E essa batalha,

Termina em poema.

in EntreLinhas

sexta-feira, junho 04, 2004

Escrevo

Escrevo porque estou triste,

Sinto que triste estou.

Armada de solidão em riste,

Atingida pela dor que sou.

Ferida da vida que passa,

Sofrida - de não esquecer.

Como uma bala, carne lassa,

O corpo por corromper...

Toda eu sou sangue e lágrima,

Carpida pela existência.

Eu sou aquela que teme,

Combatente da demência.

Cavaleiro da triste figura,

Apenas eu e meus moinhos...

Trago em mim a ilusão,

Envolta em redemoinhos.

Não paro - sigo sempre,

Nesta luta sem coragem...

Combatente pela mente,

Viajante sem bagagem.

E a minha arma é a pena

De sentimento condoída...

Relatando sem intento,

Eu escrevo - Estou perdida!

inEntreLinhas,19-10-2002

Nada

Sei não saber nada.

Nada que abarca tudo.

É um conhecimento mudo,

Oratória de boca fechada.

Não sinto que deva partilhá-lo.

Porque o faria?

Não terá o sábio a sabedoria,

Mesmo que não possa prová-lo?

Por isso o tenho para mim.

Tenho-o em nada ter.

É como haver um jardim,

E ninguém o poder ver.

E esse jardim floresce

Em ervas ocultadas.

Quem disse que em nada acresce,

Aquele de palavras caladas?

Sei não saber nada.

Mas o nada o que é?

Nada é apenas nada.

E saber também não é.

(Nada seria tudo se o tivesse)

inEntreLinhas,19-10-2002

Meias Palavras

Há tanto para dizer,

Quando se fala.

Há tanto por saber

(toda uma alma que se cala)

Eu faço um esforço

E não sai nada...

Tudo o que digo é um esboço,

Uma conversa censurada.

Sentimentos que não expresso,

Dores que não confesso,

Lágrimas que nunca chorarei,

Segredos que não sussurrei.

E como que queria desatar,

Este nó que me sufoca!

Poder abrir bem a boca

E gritar, gritar, gritar...

Tudo o que me arrependo,

Toda a saudade que sinto...

E não compreendo,

Porque sempre minto...

Serei capaz de um dia falar?

Talvez quando a dor cessar...

in EntreLinhas,19-10-2002

O crime de ser vulgar

Sou um cidadão normal. Vivo a vida tal como ela deve ser vivida... Corriqueiramente.
Não tomo prozac para a tornar diferente.
Abro a janela, para ver um prédio cinzento.
Trabalho com esmero, esperando um aumento...
Sou vulgar...Ninguém pára a olhar-me...
Sinto-me sempre igual...Não pareço preocupar-me.
Visto-me de azul ou preto, para me sentir camuflado.
De manhã não tomo café...Continuamente apressado.
Apanho o 43 com a pasta segura na mão.
Tento não chegar atrasado, para não enfurecer o patrão.
À noite, não penso em nada... Ligo o televisor.
Ponho o jantar no forno, um cenário desolador.
Quando acaba a emissão, já há muito adormeci...
Encosto-me no travesseiro...e penso:
”Já está, mais um dia em que (não) vivi.”

in EntreLinhas, 19-10-2002

Jogo

A vida é mágica que faz e desfaz,
contínuo leva e traz...
Num olhar desencadeia tudo
(basta o gesto que te põe mudo).
A carta joga-se,
a vida perde-se...
Fazem-se apostas que ninguém percebe.
Para quê jogar o destino?
Se o mundo (Ah! O mundo)
está suspenso em baralhos que não entendo,
dados que não rolam,
vícios que não compreendo?..
A vida é mágica que faz e desfaz
(Que importa? Se o nascer já traz consigo,
a campa, a sepultura ou jazigo?)

in EntreLinhas, 19-10-2002

Quimera do Impossível

Porque é que a vida é imperfeita,

Porque é que o mal sempre espreita,

Porque é tudo tão escuro,

Porque ser eu é tão duro?

- A alma está vazia-

Porque me dói tanto ser,

Porque me invade o desprazer,

Porque choro e não me rio,

Porque vivo no vazio?

- Eu juro, eu não queria -

Porque será que não resisto,

Porque sinto que não existo,

Porque tenho medo de mim ,

Porque me custa ser assim?

- Se pudesse não sentia -

Porque é que fecharam as luzes,

Porque me carregaram de cruzes,

Porque não posso e quero,

Porquê? Eu desespero...

- E alma? Está vazia.


in 98-11-10 EntreLinhas

Figos

Agosto. Uma tarde triste de sábado a saber a domingo. Um daqueles dias cinzentos que me fazem lembrar que Setembro está a caminho e que a vida regressa, lentamente, ao seu curso. Em breve, as ruas vão encher-se de novo de carros apressados, os bares reabrirão, os autocarros voltarão a estar sobrelotados e será (quase) impossível ir ao cinema à segunda-feira. Fico apreensiva…estava a habituar-me à acalmia de Lisboa em “férias” e não me apetece nada regressar ao bulício habitual… a simples ideia causa-me um arrepio e uma sensação de desconforto. Ligo o computador e vou directamente à pasta onde se amontoam centenas de músicas (todas à espera do estado de espírito que me leve a ouvi-las). Escolho Radiohead porque sempre me pareceram ideais para dias assim: melancólicos. Acompanhada pela voz dolente do Tom, procuro a minha mala. Apetece-me um cigarro (porque uma “passa” é sempre uma boa forma de espantar pensamentos negativos). Com um movimento mecanizado rodo a mola do isqueiro e inalo o fumo redentor…estupidamente, sinto-me aliviada, sem saber bem de quê. Dirijo-me à janela. Os meus olhos perscrutam a rua, sem olhar directamente para nada. O cenário é-me familiar e não parece passar-se nada que mereça a minha atenção. Continuo assim, durante alguns segundos, apenas a “não existir”…até que algo, subitamente, me leva a interromper o meu devaneio aleatório. À porta de um centro comercial velho e desbotado está um rapaz que vende figos. Não o conheço, não sei como se chama, nem onde mora… sei apenas que ele vende os figos que comerei ao jantar. Esses mesmos que há poucas horas comprou a minha mãe. Tão verdes, tão sumarentos e apetecíveis…mesmo a pedir que a minha boca se deliciasse com a intensidade de um sabor que se adivinha. Os tais que foram comprados “apenas para ajudar o rapazinho” que “ ele até parece boa pessoa” e “eu às vezes até lhe pago uns cafés”. Esses que “o pai não queria que comprássemos” mas que valeram a insistência “porque tínhamos que o ajudar, coitadinho, sempre é melhor que andar a roubar”. “Claro que sim”, disse eu à minha mãe. “Pois claro”, respondeu ela. “Se é assim…”, terá pensado o meu pai antes de retirar da carteira os euros salvadores que resgatariam o rapaz de uma carreira de furto e criminalidade. “Fez muito bem”, acrescentou a minha avó, não sei se a comentar o acto generoso de ajuda ao próximo ou se a antecipar já o prazer de tão gulosa sobremesa. E tu? Que pensas tu que te manténs ainda no mesmo local, com um cesto cheio de figos que tentas, em vão, apregoar? Que significam para ti os frutos que daqui a alguns minutos estarão no meu prato? O que colhes tu quando os plantas nos sacos que os fregueses ocasionais levam para casa? A que te sabe a glória da sua venda?...

in Entrelinhas , 18-10-2002

Lar,doce lar...

A mulher a dias finalmente mudou de casa...Para "mais tarde recordar", aqui ficam os posts das anteriores moradas...
>