sexta-feira, junho 04, 2004

O crime de ser vulgar

Sou um cidadão normal. Vivo a vida tal como ela deve ser vivida... Corriqueiramente.
Não tomo prozac para a tornar diferente.
Abro a janela, para ver um prédio cinzento.
Trabalho com esmero, esperando um aumento...
Sou vulgar...Ninguém pára a olhar-me...
Sinto-me sempre igual...Não pareço preocupar-me.
Visto-me de azul ou preto, para me sentir camuflado.
De manhã não tomo café...Continuamente apressado.
Apanho o 43 com a pasta segura na mão.
Tento não chegar atrasado, para não enfurecer o patrão.
À noite, não penso em nada... Ligo o televisor.
Ponho o jantar no forno, um cenário desolador.
Quando acaba a emissão, já há muito adormeci...
Encosto-me no travesseiro...e penso:
”Já está, mais um dia em que (não) vivi.”

in EntreLinhas, 19-10-2002

0 passaram o espanador

Enviar um comentário

<< Home

>