sábado, junho 05, 2004

No Bairro Alto

Ontem passei por ti sem saber. Estávamos na mesma rua mas não eras ninguém. Olhava para ti e não te via. Fazias parte da paisagem...mais um, de copo na mão. Mais um a rir e a falar alto, como uma banda sonora para a minha noite.

Ficámos no mesmo sítio durante horas. Tu a falares com os teus amigos. Eu a ouvir os meus. Sem sabermos um do outro. Pediste-me um cigarro e eu, forreta, disse-te que era o último. Disseste “obrigado” por eu te ter mentido descaradamente enquanto pensava nos 5 que ainda restavam no maço. Passados uns minutos foste-te embora e eu fui logo de seguida. Para a minha noite e para a minha vida.

Hoje encontrei-te de novo e disseste-me o teu nome. Não sabia que tu eras este. Não sabia que ias entrar no meu mundo, porque, de facto, já lhe pertencias. Só não tinhas este rosto que agora conheço como “x”. Hoje falei contigo e soube que, a partir de agora, te transformaste num “olá”.

in Casa Antiga

0 passaram o espanador

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